ADIÇÃO – A DOENÇA DO PARADIGMA VIGENTE

 

Quem sou eu? De onde vim? Para onde vou? Porque estou aqui?

Estas foram algumas das perguntas que quando fiz em criança nunca fiquei “preenchida” com as respostas… No fundo, fiquei com a sensação que ninguém sabia me dar essa informação, seriam até de alguma forma perguntas proibidas, de tão profundas que eram… Já pensaram? Um adulto se questionar do que afinal de contas anda aqui a fazer? Complicado… A maioria das vezes preferimos continuar a bater com a cabeça na parede do que nos colocarmos perante questões que nos tiram do piloto automático e da hipnose a que nós próprios nos submetemos só para fazer parte de alguma coisa…

Ainda há dias atrás o meu querido mestre António nos mostrava uma realidade: a farinha enquanto não leva agua é individual, se soprar numa colher cheia de farinha, ela logo se espalha – não se pode fazer nada com ela… Mas, junte-se agua, e os grãos deixarão de ser individuais, formando uma massa, e com essa massa podemos então fazer o que quisermos…

Assim somos nós quando nos tornamos massas – somos fáceis de moldar, previsíveis, sem individualidade…

É nesta base que assenta o paradigma vigente – em formar uma massa previsível para que possa ser controlada… Vivemos na era da exploração disfarçada, onde escravos á paisana são explorados diariamente, vendendo o corpo por dinheiro – ou seja, prostituindo-se – executando trabalhos que não gostam, para poderem pagar os seus compromissos ao fim de cada mês. A cada dia a mesma lenga-lenga, os dias tornam-se em meses, os meses em anos, e chegados á velhice deparam-se com uma vida sem sentido, abandonados, doentes, deprimidos, á espera da morte…

Porque nos sentimos tão infelizes, deprimidos e desajustados?

A resposta está naquilo que acreditamos.

A figura que vou apresentar a seguir pode chocar completamente com aquilo que a maioria acredita, mas se se abrir a mente fica mais fácil…

Se pararmos os nossos julgamentos sobre a realidade por uns momentos e apenas observarmos o que nos rodeia, vamos encontrar beleza, riqueza, paz, crescimento, harmonia, segurança, certeza… Tudo o que nos envolve é uma energia de Amor Incondicional, sempre pronta a nos apoiar. Existe uma ordem Divina inteligente em tudo o que acontece – tudo é perfeito…

E o mais interessante, é que no fundo, todos procuramos isso – paz interior…

Mas o único motivo pelo qual não conseguimos usufruir deste cenário está exatamente naquilo que acreditamos ser a verdade.

Os que acreditam que o mundo é cruel, perigoso, os outros são desonestos, vivemos num mundo em que anda metade a enganar a outra metade, etc, vivem essa realidade sim, mas não quer dizer que ela exista na realidade… Quer dizer, ela existe para essa pessoa, mas não é a verdade.

Por isto a pessoa se sente tão infeliz, deprimida e desajustada; existe um mundo de amor ao qual ela não se consegue abrir, por acreditar que o perigo espreita á esquina. Ela colocou uns óculos que lhe mostram determinada realidade, mas ela não corresponde á verdade – esse é exatamente o desajuste. Ela realmente está desajustada da realidade – o que ela acredita não corresponde á verdade…

E as noticias que mostram tanta miséria, morte, terrorismo, etc???

Pois, são mesmo essas pessoas que acreditam que o mundo é assim, que constroem esse seu mundo e o mundo dos que acreditam igual…

Mas eu não faço essas coisas!!!

Mas ao acreditar nelas, colocou uns óculos que filtram tudo o que vê. Por isto, quando olha á sua volta, não vê a beleza, mas sim a miséria, o medo, o feio, etc…

O que é que isto tem a ver com a Adição?

A adição é uma doença do paradigma vigente.

O paradigma é constituído pelas crenças e conceitos dominantes.

As crenças e conceitos dominantes baseiam-se em:

  1. sorte ou azar – as coisas acontecem por acaso, sem um propósito;
  2. lei de Murphy “Qualquer coisa que possa correr mal, correrá mal, no pior momento possível”.
  3. o dinheiro transforma as pessoas negativamente;
  4. temos que nos sacrificar a fazer trabalhos que não gostamos só para ganhar dinheiro;
  5. nunca recebemos o que merecemos;
  6. a vida é madrasta;
  7. existem pessoas más;

 

Entre muitos e muitos outros, que no fundo seguem um mesmo propósito – nos passar a ideia de um mundo perigoso e cruel, habitado por pessoas perigosas, governado por um deus castigador e rancoroso, numa vida que não tem um propósito…

Como alguma vez poderemos encontrar a felicidade se vivemos de acordo com conceitos que nos distanciam de nós mesmos, dos outros e do todo?

Quando fui internada mostraram-me uma realidade completamente oposta àquela que eu acreditava:

  1. nada acontece por acaso – existe uma ordem divina e inteligente
  2. o universo está sempre a nosso favor – agindo para nosso beneficio.
  3. o dinheiro aumenta o que a pessoa já é;
  4. o dinheiro vem na medida que é necessário e fruto do amor;
  5. recebemos o que damos em multiplicado;
  6. a vida dá-nos tudo o que precisamos (não o que queremos…), para o nosso crescimento e evolução;
  7. as pessoas não são más, estão doentes;

 

Entre tantos outros que me trouxeram finalmente o que tanto procurava – paz. No fundo o que me mostraram foi que havia um sentido para a vida, um propósito. Existe uma ordem – nada acontece ao acaso. Eu sou um ser divino, provido do poder de criar a minha vida como eu desejar, basta SER o que quero receber.

Qualquer doença, seja a adição ou outra qualquer, apenas se manifesta porque não existe harmonia entre estes 3 planos: o próprio, os outros e o Todo (Deus, Universo).

O Adito é uma pessoa sensível e desperta. Apenas o kit de ferramentas que lhe foi passado não se ajusta a ele mesmo nem á realidade; por isto ele procura uma droga para conseguir lidar com as emoções relativas a ele mesmo, aos outros e ao Todo. A partir do momento em que ele descobre que, afinal enganaram-se na atribuição do kit, e lhe dão o novo kit, com ferramentas que realmente lhe são uteis, não precisará mais da droga.

Claro que terá que passar por um processo de desintoxicação da droga, e então um processo de recuperação, onde lhe vai ser apresentado esse kit de ferramentas – e para isso ele precisa de ajuda. E quem melhor para ajudar do que pessoas que já passaram pelos mesmos passos e conseguiram se libertar?

 

Por isto digo que a Adição é uma doença gerada pelo paradigma vigente – mude-se o paradigma e acabam as doenças.

Como mudar o paradigma?

Cada um precisa fazer a sua parte, a sua mudança.

 

Elisabete Milheiro

Do Workshop ADIÇÃO – A DOENÇA DO PARADIGMA VIGENTE