O que é a Adição?

A Adição é uma doença de sentimentos e emoções, progressiva e fatal. Doença de sentimentos e emoções pois existe um desajuste entre o que a pessoa acredita e a realidade. Progressiva pois o grau de dependência aumenta no tempo. Fatal porque leva á morte.

 

Dependência ou vicio?

Ainda se confunde dependência com vicio. Ainda se desculpa o consumo de drogas com as más companhias. Ainda se justifica com a sorte ou com o azar…

A Adição, ou dependência, não tem nada a ver com vicio, com azar, com as más companhias…

 

Eu + Algo = Alteração de humor

No fundo o que leva a pessoa a um estado de dependência é o facto de se sentir vazia e procurar fora dela se preencher, ou alterar o seu humor.

É um estado de não conhecimento e consciência sobre si mesma, ela não sabe na verdade quem é: o tesouro que é – a luz que contém, então ela procura isso no exterior. E porque não sabe lidar com o exterior, com as suas emoções, ela precisa de uma droga.

 

Que tipo de Drogas?

Existe muita confusão relativa a este tema. Ainda se colocam rótulos como “drogado” em pessoas que consomem heroína, cocaína e outros químicos, mas os que andam encharcados em calmantes, psicóticos ou antidepressivos não são diferentes. Os que não conseguem largar um relacionamento destrutivo que os consome, não são diferentes… Os que usam a comida, o sexo, o jogo, a internet, para se alienarem ou para alterarem o humor, também não são diferentes…

Não importa a “droga” que a pessoa possa escolher, o que importa é como a pessoa se sente em relação a ela mesma, ao mundo e aos outros.

O que importa é o desajuste. Que o digam os aditos/dependentes. Praticamente todos começam a sua história assim: quando eu era criança sentia-me diferentes das outras crianças/desajustado em relação a todos os outros…

E depois a história continua… cada um passando pelo seu trajecto, mas no fundo as características são as mesmas: desajuste.

 

Desajuste entre o EU, os OUTROS, o MUNDO e o UNIVERSO/DEUS

E esse desajuste é real – existe realmente um desajuste entre a realidade e o que a pessoa pensa que é a realidade.

A adição é o beco sem saída que nos mostra que o caminho não é por ali. E basta apenas mudar o rumo: mudar as crenças – o que pensamos especialmente sobre nós mesmos, depois sobre os outros e sobre o mundo.

 

Desajuste entre o que Acreditamos ser verdade, e a Realidade

Um dos problemas com que o adito se depara, que contribuiu para o seu sentimento de desajuste e assim para o desenvolvimento da sua doença são os conceitos que lhe foram passados e que ele tomou como verdade. Esses conceitos estão desajustados á realidade em que vive, provocando conflito interior.

 

Quem sou eu?

Outro factor que contribui para a sua doença é a falta de resposta ás seguintes questões:

Quem sou eu? De onde vim? Para onde vou? Porque estou aqui?

 

Paradigma que contribui para a doença

A farinha enquanto não leva agua é individual, se soprar numa colher cheia de farinha, ela logo se espalha – não se pode fazer nada com ela… Mas, junte-se agua, e os grãos deixarão de ser individuais, formando uma massa, e com essa massa podemos então fazer o que quisermos…

Assim somos nós quando nos tornamos massas – somos fáceis de moldar, previsíveis, sem individualidade…

É nesta base que assenta o paradigma vigente – em formar uma massa previsível para que possa ser controlada…

Porque nos sentimos tão infelizes, deprimidos e desajustados?

A resposta está naquilo que acreditamos.

Tudo o que nos envolve é uma energia de Amor Incondicional, sempre pronta a nos apoiar. Existe uma ordem Divina inteligente em tudo o que acontece – tudo é perfeito…

E o único motivo pelo qual não conseguimos usufruir deste cenário está exatamente naquilo que acreditamos ser a verdade.

Colocámos uns óculos que mostram determinada realidade, mas ela não corresponde á verdade.

O que é que isto tem a ver com a Adição?

A adição é uma doença do paradigma vigente.

O paradigma é constituído pelas crenças e conceitos dominantes.

As crenças e conceitos dominantes baseiam-se em:

  1. sorte ou azar – as coisas acontecem por acaso, sem um propósito;
  2. lei de Murphy “Qualquer coisa que possa correr mal, correrá mal, no pior momento possível”.
  3. o dinheiro transforma as pessoas negativamente;
  4. temos que nos sacrificar a fazer trabalhos que não gostamos só para ganhar dinheiro;
  5. nunca recebemos o que merecemos;
  6. a vida é madrasta;
  7. existem pessoas más;

 

Responsabilidade

Um dos conceitos mais destrutivos que o Adito tomou como verdade é o conceito de Responsabilidade. A Responsabilidade, como eu a apreendi, é um conceito muito valorizado pela sociedade, uma vez que torna as pessoas previsíveis…

Antes eu achava que ser responsável era cumprir a minha palavra. E quando não queria cumprir com a minha promessa, tinha que arranjar uma desculpa bem plausível para não “assumir a minha responsabilidade” então inventava desculpas (tragédias, mortes, doenças…), mentiras… para que a minha “falta” fosse bem justificada…

Eu achava também que era responsável pelo bem-estar das outras pessoas…

No fundo era um leque de regras a serem seguidas rigidamente ou então seria penalizada…

Esse conceito de responsabilidade levou-me ao desespero, á destruição; por fim já não queria assumir nenhum papel, tarefa, nada, com medo de me sentir obrigada, presa, no fundo, ás minhas promessas… fugia das “responsabilidades” pois estava farta de ter que me obrigar a fazer coisas que eu não queria…

Nós não somos seres feitos para ser formatados… A nossa essência é dinâmica e a única verdade é a evolução e o crescimento. O que nos torna doentes são esses conceitos que tomámos como verdade.

 

Medo e Culpa

Dois fatores que anulam o ser.

 

Desintoxicação e Recuperação

Um processo de recuperação não pode apenas se basear na desintoxicação física, mas abarcar especialmente a mudança de crenças. Por isso o insucesso de tantos programas de recuperação que viram como “culpado” a droga, em vez de verem como responsável o que a consome.

 

Mudança de conceitos e crenças

Quando fui internada mostraram-me um novo caminho. Este caminho, finalmente, fazia sentido para mim, e mais importante que tudo, fazia-me sentir bem… Bem comigo, bem com os outros, bem com o mundo e bem com Deus…

mostraram-me uma realidade completamente oposta àquela que eu acreditava:

  1. nada acontece por acaso – existe uma ordem divina e inteligente
  2. o universo está sempre a nosso favor – agindo para nosso beneficio.
  3. o dinheiro aumenta o que a pessoa já é;
  4. o dinheiro vem na medida que é necessário e fruto do amor;
  5. recebemos o que damos em multiplicado;
  6. a vida dá-nos tudo o que precisamos (não o que queremos…), para o nosso crescimento e evolução;
  7. as pessoas não são más, estão doentes;

Entre tantos outros que me trouxeram finalmente o que tanto procurava – paz.

No fundo o que me mostraram foi que havia um sentido para a vida, um propósito. Existe uma ordem – nada acontece ao acaso.

Eu sou um ser divino, provido do poder de criar a minha vida como eu desejar, basta SER o que quero receber.

Qualquer doença, seja a adição ou outra qualquer, apenas se manifesta porque não existe harmonia entre estes 3 planos: o próprio, os outros e o Todo (Deus, Universo).

O Adito é uma pessoa sensível e desperta. Apenas o kit de ferramentas que lhe foi passado não se ajusta a ele mesmo nem à realidade; por isto ele procura uma droga para conseguir lidar com as emoções relativas a ele mesmo, aos outros e ao Todo. A partir do momento em que ele descobre que, afinal enganaram-se na atribuição do kit, e lhe dão o novo kit, com ferramentas que realmente lhe são úteis, não precisará mais da droga.

Claro que terá que passar por um processo de desintoxicação da droga, e então um processo de recuperação, onde lhe vai ser apresentado esse kit de ferramentas – e para isso ele precisa de ajuda. E quem melhor para ajudar do que pessoas que já passaram pelos mesmos passos e conseguiram se libertar?

Uma das grandes características do adito: negação da doença.

 

A minha grande vantagem

Prende-se no facto de ter passado por todo este trajeto e saber de perto como funciona a doença. Poder passar a minha experiência e ajudar tantos outros que, como eu, viram as suas vidas desgovernadas.

 

O que é preciso para iniciar um novo caminho?

Primeiramente a pessoa tem que querer mudar. Tem que estar farto, de estar farto, do sofrimento.

Depois, pedir ajuda.

Depois, ter mente aberta, boa vontade e seguir sugestões.

Mente aberta a novas formas de ver e de agir.

Seguir sugestões sem julgar ou sem questionar. Se julgar ou tentar perceber vai ver através da mesma medida que o levou ao fundo do poço.

Boa vontade para seguir as sugestões.

 

Da Palestra “Numa Sociedade assim, só drogada!” 1ª CONVENÇÃO INTERNACIONAL DE SAÚDE INTEGRAL