A Natureza Oculta da Respiração

 

De acordo com o que leu atrás, a ciência moderna reco­nhece a respiração humana como um processo biológico que envolve o intercâmbio de oxigénio e de dióxido de carbono produzido pelo corpo, assim como outras impurezas. De acordo com os ensinamentos daqueles que estão ligados ao oculto ou às ciências da Nova Era, a respiração é algo mais. Estes mestres propõem a ideia de que sempre que um ser humano inala ar fresco partilha, não apenas os gases atmos­féricos, mas também uma energia mística chamada a «ener­gia dos mil nomes». A lista seguinte é composta por alguns dos nomes que a humanidade deu a esta energia ao longo da história:

  • Prana
  • Chi
  • Ki
  • Energia Orgone
  • Kundalini Força Ódica
  • Energia Biocósmica
  • Mana
  • Quinta-Essência
  • Poder Piramidal O Dragão
  • Magnetismo Animal
  • Energia Bioplásmica
  • Turno
  • Força Vital
  • Elan Vital
  • Vitalidade
  • Ka/Ba
  • Yin/Yang
  • Energia Elóptica
  • Ain-Soph
  • A Serpente Adormecida

 

 

O leitor notará que um dos nomes que aparece na lista é prana. Este nome é aquilo a que os praticantes de yoga cha­mam energia, e vejamos o que o Yogi Ramacharaka nos diz sobre esta energia e as suas propriedades na sua obra The Science of Breath:

 

«Prana é o nome pelo qual designamos um principio universal, a essência de todo o movimento, força ou energia, quer se manifeste na gravitação, na eletricidade, na órbita dos planetas, e em todas as formas de vida, da mais elevada à mais elementar. Podemos chamar-lhe a alma da Força ou da Energia sob qual­quer das suas formas, e é esse princípio que, operando de de­terminada maneira, causa aquela forma de atividade que acompanha a vida.

Este grande princípio está presente em todas as formas de ma­téria e, no entanto, não é matéria. Encontra-se no ar mas não é o ar nem nenhum dos seus constituintes químicos. As vidas ani­mal e vegetal respiram-no juntamente com o ar e, no entanto, se o ar não o contivesse morreriam, mesmo que pudessem ser impregnados de ar. É absorvido através do mesmo sistema que absorve o oxigénio e, no entanto, não é oxigénio.»

 

O Yogi Ramacharaka obviamente entende que prana é uma força unificadora de todas as formas de energia — algo que faz parte de toda a energia, mas não é uma forma espe­cífica de energia.

Os Chineses têm uma versão semelhante de energia, à qual chamam Chi. A sua obra clássica de filosofia chamada Tao Te King afirma:

“Porque o olhar o procura mas não o capta, é considerado fugidio.

Porque o ouvido presta atenção mas não o consegue ouvir, é chamado rarefeito.

Porque a mão o sente, mas não o pode encontrar, é cha­mado infinitesimal. O seu nascimento não traz a luz; O seu ocaso não traz a escuridão. É chamado Chi.”

 

E para que o leitor não fique com a ideia errada de que esta energia só foi referida em tempos passados e por mes­tres que não conheciam o mundo moderno, citarei dois exem­plos tirados da história de Hollywood.

A primeira referência encontra-se no filme Cocoon. Este filme é sobre um grupo de citadinos idosos que descobrem haver extraterrestres a viver no hotel abandonado que se situa nas proximidades da sua casa de Verão. Esses extrater­restres, segundo parece, regressaram à Terra para recuperar os membros da tripulação que aqui deixaram milhares de anos antes quando a Atlântida submergiu. Os membros da tripulação extraterrestre mantiveram-se vivos dentro de casu­los especiais que foram, depois, imersos na piscina do hotel, e quando os idosos usavam a piscina, experimentavam um rejuvenescimento físico devido à energia vital que os casulos extraterrestres irradiavam, a força vital de que falava o Yogi Ramacharaka no seu livro The Science of Breath.

O exemplo seguinte, retirado também da indústria cine­matográfica, é a série «A Guerra das Estrelas». Nesta trilogia, a energia surge como A Força, e exibe qualidades similares ao prana e ao Chi. Quando perguntaram a George Lucas, o génio criador desta «ópera espacial», o que significava aquela força, ele deu a seguinte resposta numa entrevista concedida à revista Time, datada de 19 de Maio de 1980:

 

«Quando nascemos, temos um campo de energia à nossa volta. Podemos chamar-lhe aura. Descrita de maneira arcaica seria um halo. Trata-se de uma ideia presente ao longo da história. Quando morremos, o nosso campo de energia une-se a todos os outros campos de energia existentes no universo, e enquan­to estamos vivos esse grande campo de energia permanece em contacto com o nosso próprio campo de energia.»

 

Esta energia, a que nos referiremos daqui em diante pelo nome Chi, possui uma longa história e parece ter ressurgido na atualidade. Chi é uma fonte de poder omnipresente, a força unificadora subjacente a todas as outras fontes de energia no universo conhecido, quer a fonte de energia seja o calor, a luz, a eletricidade, o magnetismo ou a energia nuclear.

Um ser humano pode dar passos muito significativos no sentido de utilizar esta energia unificadora, e estes passos são a respiração controlada, a meditação e a visualização. São estas as técnicas que lhe serão ensinadas a seguir. São técnicas poderosas que lhe permitirão acumular e manifestar esta energia no mundo real.

De modo a poder compreender a força que o Chi pode ter no mundo físico, gostaria de citar a história que C. W. Nicol, um mestre de artes marciais, relata no seu livro Moving Zen: Karate As a Way to Gentleness.

Trata-se de um episódio a que assistiu pessoalmente quando treinava no Japão para conseguir o grau de cinturão negro em karaté, um sistema de autodefesa baseado no combate sem armas. Depois de ler o que aconteceu, tenho a certeza que ficará impaciente para utilizar pessoalmente o Chi e experimentar os efeitos e mu­danças que pode trazer à sua vida.

Eis a história de C. W. Nicol:

 

«Um dia, depois de Kanasawa ter quebrado uma pilha de três velhos tijolos retirados de um muro em ruínas, fez algo que pa­rece fisicamente impossível. O feito de quebrar três tijolos, co­locados uns por cima dos outros num chão de cimento, já era suficientemente incrível. A maioria dos homens não o poderia ter feito com um martelo, mas os tijolos quebraram-se quando ele lhes bateu com a parte lateral da mão. Mas isso, disse ele, não era nada. Outra pilha de tijolos foi preparada. Ele colocou o seu espírito, ou «Ki», no tijolo do meio. Gritando, bateu no topo da pilha de tijolos e, por vezes temos de aceitar o inacreditável, só o tijolo do meio se quebrou. Não foi um truque, e as pessoas que assistiam eram apenas um pequeno grupo de alunos. Como explicar isto? Primeiro preencheu o espaço já ocupado pela mente, e para facilitar isto, o karateca teve de esvaziar a sua mente numa situação de combate. Se a mente fosse forte, o golpe seria forte. Tem sido afirmado que a força mental pode projetar-se para além da presença física do punho, e pode, só por si, alterar o estado da matéria. Num estado de perfeição, a força mental, o «Ki» de um verdadeiro mestre colocar-se-ia à sua volta de modo a que o seu corpo físico fosse inatingível, e poderia assim vencer um adversário atacando-o com os seus gritos, ou dominá-lo com o seu olhar, como um arminho a um coelho.»

 

Como o leitor pode compreender a partir da leitura desta história, o Chi (ou o «Ki» como Nicol lhe chama) é verdadeira­mente uma poderosa fonte de energia a ser considerada e respeitada. É uma energia que toca o espetacular. Uma energia que o leitor aprenderá a utilizar.

O restante deste capítulo ensinar-lhe-á o caminho para acumular o Chi. Contém exercícios respiratórios especiais que devem começar a praticar imediatamente. Comece pelo primeiro exercício e pratique-o até o dominar completamente. Não se precipite! Sinta os efeitos que cada exercício provoca em si antes de passar ao exercício seguinte, mais poderoso.

Cada exercício deve ser repetido pelo menos dez vezes, aumentando-se uma repetição por dia. Isto deve prosseguir até às vinte repetições.

O seu objetivo último deve ser praticar duas vezes por dia pelo menos vinte e cinco repetições de respiração profunda, o que aprenderá a fazer através do exercício final deste capítulo. Se possível, deve tentar aumentar as suas repetições deste exercício muito especial até pelo menos cinquenta repetições por sessão.

Depois de alcançar este nível de eficiência, deve conti­nuar a usar este exercício (respiração profunda) juntamente com os exercícios de meditação e de visualização que serão apresentados nos dois capítulos seguintes. (Para uma descri­ção mais completa da história desta energia invulgar a que chamamos Chi, aconselho-o a adquirir um exemplar do meu livro Life Force, publicado por Llewellyn Publications.

 

Série de Excertos  do Livro A RELAÇÃO ESPAÇO/TEMPO de Leo F. Luszia