Competir ou Criar?

Competir ou criar, eis a questão!

Podemos conviver com a vida sob duas formas completamente diferentes: ou de forma competitiva ou de forma criativa.

A forma Competitiva

No caso da competitividade apenas existe uma hipótese: ou ganhamos ou perdemos.

A forma competitiva conhecemo-la muito bem: somos ensinados na escola e incentivados pelos professores, pais e amigos a usá-la.

Na escola somos medidos, comparados… Através das avaliações escolares induzem-nos ao erro de que alguns de nós são melhores do que outros. Os melhores são recompensados e os piores são penalizados… Aqui incentiva-se fortemente á competição, iniciando-se assim um ciclo vicioso que só acaba com a morte…

Em casa o pai e a mãe inocentemente comparam as “competências” dos seus filhos, procurando através, novamente, do modelo de recompensa e punição, levar as crianças a serem as melhores… Acabam por criar apenas transtornos, em que os filhos competem entre si para mostrar aos pais qual é o melhor…

O pai e a mãe desconhecem o seu próprio valor, então nunca poderiam passar à sua descendência a importância e preciosidade de cada ser individual…

Competimos para ter as melhores notas, para ser o melhor amigo, para ser o melhor no jogo, para ser o melhor filho, para ter a razão, etc… e há alguns de nós que até competem para serem os piores… os “melhores piores” … O que importa é ser sempre o melhor…

Queremos ser melhores do que os outros… Porque desconhecemos que todos somos os melhores… Não há nenhum de nós que não seja o melhor…

Quais os resultados de agir na competitividade?

A nossa vida é uma montanha russa de emoções…

No caso de ganharmos, sentimo-nos, primeiramente, eufóricos. A euforia é um estado de humor fora de equilíbrio. Depois de passar a euforia vem o vazio… Então continuamos a competir para tentar preencher esse vazio, mas não há ganhos que cheguem para o preencher…

No caso de perdermos sentimo-nos deprimidos, porque não conseguimos preencher o vazio…

Porque, afinal, o que “ganhamos” quando ganhamos? Ganhámos o jogo, ganhámos a taça, ganhámos a corrida, ganhámos a razão… mas o que realmente ganhamos com isso?? Será que já nos fizemos essa pergunta?

A forma Criativa

Quando eu era criança sonhava com esse mundo: um mundo em que todos convivessem de forma agradável e feliz… Em que reinava a interajuda, o respeito e a paz… Disseram-me que era apenas um sonho, que na realidade as coisas não eram assim e nunca poderiam ser… Claro que sob um modelo competitivo isso, realmente, nunca poderia acontecer…

Mas sob um modelo criativo tudo isso e muito mais é possível!

Quando tivermos consciência de que todos somos os melhores e que não precisamos de competir para ser, ter ou fazer, passamos à forma seguinte: a forma criativa.

Na forma criativa, não competimos com ninguém, mas sim criamos. Não perdemos nem ganhamos, mas sim divertimo-nos!  Não estamos focados em ser melhor do que os outros, mas sim em dar à vida – ao mundo e a todos os seres que fazem parte dele – o melhor de nós.

Somos conscientes do valor individual de cada ser que existe e respeitamo-los tal como são.

Qual a vantagem em criar?

Vivemos num bem-estar continuo connosco mesmos, com os outros e com tudo o que nos rodeia. E criamos coisas maravilhosas para que todos possam usufruir e serem felizes.

Este é um trabalho individual. Cada um tem que fazer a sua parte.

Elisabete Milheiro