Como assim não é só no carnaval que se usam máscaras?


Vivemos vidas de faz de conta, somos uma coisa e aparentamos outra. Chega uma altura, até, que já nem sabemos mais quem somos…


Quando eu era criança, cada vez que via uma família feliz, desejava que a minha fosse assim também, mas o que eu não sabia é que em muitos casos (mais do que se gostaria) isso era uma máscara…
Na rua comportavam-se como pessoas exemplares, mas em casa era o fim do mundo… Conheci pessoas assim… E por mais que repudiasse essa atitude, tornei-me num deles, colocando máscaras para cada situação.


E por sinal aprendi muito bem… Um dia dizia-me uma rapariga, pouco mais velha que eu:


Elisabete, quando olho para ti… é uma serenidade… transmites tanta paz, calma…


O interessante é que eu estava numa ansiedade doida… Como ela não viu isso? Ou sentiu? Bem, não viu porque eu estava a usar uma máscara… Mas daí até não sentir, já são “outros quinhentos”… Quando estamos adormecidos não conseguimos sentir nada… Somos pedras… Mas, não mudando de temática…


No fundo nunca fui eu mesma, mesmo quando me queixava de tudo e todos vestia a máscara de vítima…
Cada vez que sinto uma coisa e aparento outra estou a usar uma máscara… alguém me diz algo que não gostei e eu aparento que nada mexe comigo – máscara… Acontece algo que me tira do sério, mas não demostro, quero mostrar que sou a maior, que sei lidar com tudo e mais alguma coisa – máscara… Estou ansiosa, mas não quero que ninguém saiba, então sorrio para todos – máscara…


Estou cheia de raiva, ou revoltada, ou magoada, sinto medo, estou insegura, incerta, mas escondo por detrás da máscara… Não concordo, não tenho a mesma visão, não aceito, não quero, mas demonstro o contrário… Sou uma mentira, sou uma fraude, porque mostro algo que não estou a sentir nesse momento…


O problema da máscara é que não mudamos nada, muito pelo contrário, seria mais benéfico até, no caso de raiva ou revolta por exemplo, gritar e espernear, do que reprimir tudo isso que um dia vai ter que sair… quando o copo ficar cheio…


E fazemos isso porque queremos ser aceites pelos outros não é? Temos medo que os outros não gostem de nós se mostrarmos verdadeiramente o que sentimos… quem somos…


Chegamos ao fim do dia exaustos, revoltados, com dores, e não sabemos porquê… Porque será?… Se estivéssemos em Aceitação o dia todo de certeza não haveria cansaço…


Se em vez de mascarar, se mudar o estado, não seria bem melhor? Em vez de reprimir, aceitar? Em vez de esconder, mudar…


Responsabilizar-me pela criação da minha realidade…


Afinal tudo que mexe comigo é porque não me estou a responsabilizar, não estou em aceitação ao que este Universo Perfeito e Bondoso me está a oferecer…  Porque no Universo tudo é perfeito, nada acontece por acaso…


…No Universo tudo é perfeito, nada acontece por acaso…

Elisabete Milheiro